Tornas-te responsável por aquilo que cativas

Boas pessoal!!

Era bastante novo quando li, pela primeira vez, o livro “O Principezinho”.  Confesso que gostei muito na altura mas houve muita coisa que me passou ao lado pois não me deparava tanto com muitas das questões abordadas. As coisas eram como eram e ponto. Não ficava a questionar a fundo as relações entre pessoas nem a forma como interagiam umas com as outras.

Contudo, lembro-me de ter de o reler aos 14 anos. E aí, as coisas mudaram completamente de figura. Apesar de parecer um livro infantil, da primeira vez que o li, com cerca de 9 aninhos, não tinha maturidade para o perceber.

Há frases que deixam a sua marca em nós. E se há coisa em que este livro é perito, é em deixar frases significativas em nós que nos deixam realmente a refletir.

Atualmente vivemos num mundo de completas aparências, um mundo superficial. As pessoas não apenas vivem a esconder-se dos outros, aparentando constantemente alguém que não são, como escondem-se de si próprias. Há muitos pensamentos que são difíceis de interiorizar e refletir sobre eles, e a verdade é que todos temos os nossos fantasmas que nos perseguem e atormentam todos os dias.

Todos somos atores sociais. O que interessa muitas vezes nem é o estar bem, mas o parecer bem.

Há uma frase que se destaca de todas as outras do livro e que faz especial sentido para mim: “Tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas”. É uma frase realmente muito bonita e que deveria fazer todo o sentido. Mas será que faz realmente?

Questiono-me se somos mesmo responsáveis pelo que cativamos, ou somos responsáveis por nos termos deixado cativar?

Acho que nos tempos que correm, a segunda hipótese é mais provável. É mais recorrente teres receio de te deixares cativar porque sabes da possibilidade de te poderes vir a magoar, do que o receio de cativar alguém pelo qual não te queres sentir responsável. Ou não queres ou sabes perfeitamente que podes não vir a querer.

O ato de cativar não é propriamente genuíno, tornou-se um desafio, um jogo. Que tem um ponto de partida engraçado, a conquista mútua para ver quem cativa primeiro. Depois do primeiro passo realizado, o segundo passo deveria ser o aprofundamento, certo? Sim, também concordo. Mas acaba por não ser. É precisamente o contrário: a “descativação”.

Este é o momento em que ambos começam a fingir que não se importam. Quase um teste inverso. Se antes o que interessava era ser o mais cativador, nesta fase é ser o menos interessado.

Se continuo a gostar do “Principezinho”? Claro que sim! Todas as frases continuam a ter imenso significado mas interpreto de forma diferente à medida que o tempo vai passando.

Só amamos o que compreendemos

Tudo a correr bem por esse lado, e sejam felizes 😊

Luís Duarte Sousa