Queima das Fitas

Passaram-se três anos. Passaram e durante os mesmos muita coisa se passou.

Lembro-me perfeitamente do dia em que tive oficialmente de deixar a ilha. De me ter despedido dos meus familiares mais próximos no dia anterior, de não querer soltar os meus avós, os meus tios e os meus primos. Foi uma despedida muito dolorosa. Principalmente por ser tão apegado à minha família como sou. Olhando para trás, admiro toda a força que tive nesse momento.

Felizmente, estava acompanhado pela minha irmã e pelos meus pais. A partir desse dia, tinha a certeza de que a minha vida mudaria bastante. Teria de deixar para trás o meu pequeno mundo e não tinha qualquer certeza de que gostaria do novo mundo que me esperava. Mas a Madeira já estava pequena para mim, e precisava de mais.

Lembro-me de não ter chorado, também porque não tinha ainda absorvido a informação toda. Limitei-me a cumprir o que era esperado: sorrir, dizer adeus às pessoas necessárias e embarcar. Lisboa na altura fascinava-me, mas causava-me imenso receio, parecia um mundo demasiado grande para mim. Agora, já a considero uma cidade pequena.

A minha adaptação foi bastante fácil, muito mais do que esperava. Custava-me estar longe da família, mas ia sempre uma vez por mês a casa. E tive sempre o apoio das pessoas à minha volta, pessoas que sabem quem são, e que fizeram toda a diferença.

Sinto que cresci muito durante estes três anos. Não fisicamente, mas como pessoa. Estar numa cidade em que toda a gente é anónima faz-nos sentir “apenas mais um”, e isso leva a que nos conheçamos melhor. Foram muitas as batalhas para chegar ao fim, desde noites mal dormidas, lutas comigo próprio, amores e desamores.

Mas tudo valeu a pena. Se voltasse atrás claro que faria muita coisa diferente, mas tudo tem uma razão para as coisas serem como são. E não estaria como estou neste momento se as coisas fossem diferentes. Tanto poderia estar melhor ou pior, mas não igual.

Além disso, tenho a certeza de que levo os melhores comigo. Sempre me disseram que uma amizade da faculdade era para a vida, e isso comprovou-se. Só vos posso agradecer por todo o apoio!

Há imensa gente triste por estar a acabar. Eu sinto-me feliz, apesar de ter gostado muito desta experiência. Mas tudo tem o seu tempo e tem de ser vivido na altura certa. Foi uma fase da minha vida e é necessário deixá-la para trás.

E espero que este fim seja o início de uma etapa melhor!

Deixo aqui algumas fotografias do dia da queima, espero que gostem:

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Tudo a correr bem por esse lado, e sejam felizes 🙂