Estou de luto pelo Brasil

Estas eleições foram um forte golpe nas costas da democracia e na história do Brasil e do Mundo.

A história já demonstrou, mais do que uma vez, que os extremos não são a melhor solução para um país. O Brasil já passou por uma ditadura militar, e está prestes a conhecer outra. Apesar de o candidato vencedor ter sido eleito, toda a população vai sofrer com isto, de uma forma ou de outra. Nem que seja ao ver o vizinho sofrer.

O ódio e discriminação generalizada com fins organizacionais não tornam uma sociedade melhor, mais organizada e mais segura. Leva a que toda a gente tenha uma vida amedrontada no dia a dia, mesmo com as pessoas em quem confiam. Tornam qualquer um suspeito das coisas que faz ou até que não faz.

Acho que nunca me tinha sentido tão sortudo. Sortudo por ter nascido em Portugal e estar longe do Brasil. Apesar de estar triste (e muito triste, acreditem), ficaria completamente aterrorizado se vivesse num país em que foi eleito um candidato de extrema direita.

Teria receio por mim, e teria receio pela minha família, amigos ou qualquer um que pudesse sofrer. Li hoje que os professores já estão sob vigilância e que os alunos têm autoridade para gravar e enviar vídeos, caso os professores estivessem revoltados com as eleições. A minha mãe é professora, e não queria que, caso vivêssemos no Brasil, ela estivesse a correr risco de ser mal interpretada e pudesse sofrer consequências graves.

Ser professor, numa ditadura, é uma profissão de risco. Porque um bom professor não é apenas um transmissor de conteúdos. Um bom professor toca os alunos com a sua forma de pensar e ver o mundo, além de transmitir matéria. E os ditadores sabem disso, sabem que é muito mais fácil controlar uma população que não pensa, que apenas absorve.

Quando comecei a ter consciência da história do século XX, mais precisamente acerca das ditaduras, o que mais me chocou foi perceber que foi algo que ocorreu há muito pouco tempo. Estamos habituados a olhar para a idade média como uma fase péssima socialmente, mas no século XX? Como seria possível alguém como o Hitler ter sido eleito?

E o pior de tudo é que foi, à semelhança do Bolsonaro. Nos seus discursos antes da eleição, sempre proclamou as suas opiniões pessoais e discursos de violência e ódio em relação a grupos minoritários. Após a eleição, era frequente ler-se nos jornais alemães que o “Hitler é apenas um louco”, “Nunca vai pôr em prática aquilo que prometeu” ou “O nosso sistema democrático nunca permitirá que acabe com a democracia”.

A verdade é que tudo isto aconteceu. E estas frases são, atualmente, publicadas nos jornais brasileiros (se bem que o jornal “A Folha” foi boicotado) e partilhadas nas redes sociais pela população. Imagino que, no futuro, pessoas como eu, que têm um espaço onde costumam partilhar as suas ideias, nem isso consigam fazer, visto que os órgãos de comunicação social brasileiros já estão a ser censurados. E estudar comunicação fez-me perceber que é preferível morrer a lutar pela liberdade de expressão do que viver sem ela.

Infelizmente, deste lado, sinto-me bastante impotente. Só me resta mandar muita força aos brasileiros e desejar que corra pelo melhor.

SEJAMOS A RESISTÊNCIA!

Luís Duarte Sousa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s