Caniçal, a pequena vila onde cresci

Há alguns dias estava a tomar um café em família e uma prima sugeriu-me que escrevesse mais sobre o Caniçal, a freguesia onde estão as minhas raízes. Gostei bastante da sugestão e, por isso, além de escrever sobre o sítio, decidi descrever um pouco da minha relação com a vila.

Vivi grande parte da minha vida numa vila pequena, na extremidade de uma pequena ilha: a Madeira. Tal como a ilha e a vila em questão, que possui menos de seis mil habitantes, eu também era pequeno. Era e continuo a ser. Mas apesar do meu tamanho, sempre fui enorme nos sonhos.

Sabia que não era nada num mundo tão grande. Que nunca seria nada num universo gigantesco. Não sabia se poderia sequer querer ser alguma coisa, mas como diria Fernando Pessoa, “tenho em mim todos os sonhos do mundo”, e disso tinha a certeza.

Na altura não conhecia ninguém que trabalhasse em televisão. Apesar de ser um mundo muito longínquo, sabia que era o meio que me ia fazer sentir realizado. Adorava ver o Manuel Luís Goucha, na “Praça da Alegria”, ou os jornalistas que apresentavam a metereologia, que era aquilo que mais queria fazer na altura. Imaginava-me dentro de um estúdio, embora na altura nunca tivesse estado num.

Grande parte dos elementos da minha família são professores, mas as profissões são variadas, desde a saúde ao direito. Apesar de nunca ter tido uma referência próxima na área da comunicação, tive uma mãe que sempre acreditou em mim e deu força para lutar ao máximo por aquilo que queria.

E o carinho por esta pequena vila que me viu crescer, onde as montanhas se encontram com o mar, continua muito vivo dentro de mim. As melhores e piores recordações da minha infância e adolescência estão ainda guardadas aqui e só ao voltar consigo recordá-las.

Contudo, não consigo imaginar-me a viver aqui de novo. Preciso do ambiente de cidade, de ver centenas de pessoas novas todos os dias e de sentir-me apenas “mais uma pessoa no meio de tantas”.

Mas é sempre bom revisitar o sítio onde muito do meu passado continua vivo, observar as magníficas paisagens da vila, ouvir as ondas do mar, que tanto gosto, o barulho das árvores, o vento intenso, e rever as pessoas que, estando presentes no meu passado, continuam presentes neste momento.

E sinto-me feliz por ter crescido num sítio pequeno. Dou valor a muitas coisas que não daria se tivesse crescido numa grande cidade, onde a vida em comunidade não é tão intensa.

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Tudo a correr bem por esse lado, e sejam felizes 🙂

Luís Duarte Sousa

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